segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ano Novo

Menos esquizofrenias humanas é o que eu desejo a vocês e a mim para esse novo ano, menos caixinhas, casinhas, estantes, mais vida, rua, bagunça, instantes. Sair desse padrão programado que é viver, sentir, sofrer, mandar indiretas em redes sociais, odiar, logo depois amar de novo e odiar.. viver assim até que alguém caia na real e vá embora, odiar novamente, indiretas muito diretas, mesmos lugares, mesmas pessoas, olhos, saudades, ou não.. Somos humanos dominados, doutrinados, cegos, até hora que achamos uma saída para outra cegueira, outra doutrina, ciclos viciosos de drogas lícitas e ilícitas, sem fim.
Lembrar de esquecer todos os dias do que a "Sociedade politicamente correta" te empurra goela baixo, lembrar de fazer o bem a você e a todos ao seu redor. Nesse tempo que temos pra viver, viva. Menos medos mais bocas, camas, sexo, filmes abraçadinhos, olhar pela manhã, com amor é sempre melhor. Falando em Amor, menos "eu te amo" digitados e mais abraços, beijos, arrepios, Atitudes, menos obrigações pelo amor e mais desejos. Lembrar que esse e qualquer outro sentimento não se mendiga, não se pede, se sente.. então sinta, confunda, acredite, lute, fale, grite, cante, escreva, não cale.. Amor não se Nega, covardia nunca fez meu coração acelerar.
Mais coragem, menos desculpas, isso é coisa de fracassado.. Lembrar de ser mais vilão menos vítima. Acertar sempre que possível e quando errar aprender com os erros. Menos orgulho e consequentemente menos saudades, mais olhares, drs e toques.
Nessa bagunça que é ser cada vez menos humanos, nunca esquecer de sempre oferecer o que se tem de melhor..

domingo, 26 de outubro de 2014

Obsoleta

Ando com tanta preguiça e um copo cheio de insatisfação desse silêncio de meio termo, de talvez, essa coisa esquisita de ficar em cima do muro. Eu não sei viver de metade, de morno, gosto de inteiros, vivo de intensidade. Gosto de certezas, de pé no chão, gosta de quem se importa, isso de ser obsoleto não resolve, de só me responder também não, pontos de interrogações na maioria das vezes me fazem sorrir, pensar e isso me motiva a querer ficar cada vez mais. 
Fico aqui esperando você falar alguma coisa, e advinha, silêncio! E dói, faz um barulho danado, grita, esperneia, implora, reza, se auto sustenta de um orgulho vazio, ou de uma satisfação um pouco cruel de se conformar por vezes em ser a última opção. Antes você quisesse ir embora de vez, me atropelasse com sua falta de sentimentos compatíveis, do que ficar assim metade morta e metade omissa, saindo aos poucos, deixando de se importar aos poucos, como se eu não percebesse que aos poucos dos poucos a gente se transforma em nada. Eu não quero que você seja mais um equívoco, aceitei todas as suas condições pra que você nunca me deixasse, mas como perder aquilo que nunca se teve? você é ou foi a ilusão mais linda que eu alimentei, foi quase por muito tempo uma certeza e agora é só saudade.




Maria Clara Cavalcante
27/10/2014

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Decepção

Passar por uma grande decepção é como chegar no seu aniversário e não ser lembrado, é chegar o ano novo sem planos, é o dia das crianças sem um presente. 
Decepcionar-se é perder por alguém aquilo que você tinha de mais bonito,mais sincero. É quase inocente, quase uma pureza no meio da tamanha malicia humana acreditarmos que a decepção de hoje será a última, ou será a maior de todas, não será. 
Tal como os aniversários que nos deixam mais velhos, os planos que não são cumpridos no novo ano e o dia das crianças quando agora somos adultos, as decepções acontecem e sempre vão acontecer, esperando de nós a minima coragem para encarar, ouvir e responder.

Decepcionar-se é regalia para aqueles que são carne em meio a tantas pedras.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Não diga que me Ama

Não diga que me ama, dizer de nada adianta, não pra mim que só sei sentir. Apenas sorria pela manhã, e me pergunte como foi o dia anterior, pergunte como foram minhas provas e se eu estou assistindo bem as aulas.

Não diga que me ama, apenas se importe comigo e tudo que está ao meu redor, pergunte da minha família e do meu cachorro e eu serei feliz, e saberei a todo momento que é de verdade.

Não diga que me ama, palavras são facilmente ditas e mais fáceis ainda de serem digitadas, seja apenas o corpo que me aquece nos dias frios, ou minha companhia em novos restaurantes, me acompanhe no cinema e ria das minhas piadas idiotas.

Eu serei tudo isso pra você também, vou ser amiga dos seus amigos só pra saber de você, sempre te perguntarei sobre os problemas e se posso ajudar, talvez você se estresse com a minha insegurança, ou meu ciúmes, não ligue só tenho um medo grande de te perder. Provavelmente te chamarei de amor, mozão ou qualquer outro desses apelidos que te tornem pra mim especial e diferente de todas as outras,  serei seu porto seguro nos seus piores dias e estarei ali por você até quando o tempo passar e você fingir me esquecer.

Não diga que me ama, olhe no fundo dos meus olhos e eu saberei que tudo isso é verdade.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Sem Culpa

Desculpa o rosto sisudo quando você espera sorrisos,
desculpa as poucas palavras e a grande indiferença,
desculpa os não abraços e os que eu também vou negar,
desculpa as frases de amor não ditas, e o silêncio recorrente nos nossos dias,
desculpa a falta que vou fazer nos dias frios, e naquela viagem que tanto planejamos,
desculpa por planejar tudo e  por esperar que você viva meus planos,
desculpa por te explicar todos os "porquês" e te envolver tanto nisso,
desculpa não poder ficar nas suas condições,
desculpa por te abandonar e por te virado as costas quando eu deveria lutar,
desculpa minha fraqueza, e humanidade,
desculpa por todas as desculpas e jamais pense Que eu fui por não te Amar.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Insanas

Não consigo entender como alguém tem medo do que faz bem, ter medo de quem te ama e faz tudo por você é no mínimo uma insanidade declarada. Não sei uma explicação coerente pra essa insegurança reversa de não querer sentir, de dizer não mesmo quando quer gritar pro mundo que SIM, não cansar de fingir, fugir e não encarar, se acovarda. É quando o inevitável acontece, o arrependimento, a frustração, a falta daquele alguém que te completava e você simplesmente deixou ir, bate o desespero né? a vontade de correr atrás de tudo aquilo que você ta vendo que perdeu, o problema é que na maioria das vezes o outro também já te deixou ir, e por mais que você agora queira ele já não quer.

Não sei jogar nesse time de perdas e arrependimentos, vivo a mergulhar no desconhecido, a pular de precipícios sem saber muito no que vai dar, mas essa é a graça de se deixar Sentir, é ter frio na barriga, é se apaixonar por cheiros e olhos e ter coragem de dizer isso, é ser elemento imponderado de uma matemática com milhões de resultados. Imagine quão louco seria perder uma ótima oportunidade de ser Feliz.

"E que a minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é Amor e a outra Metade também"

domingo, 2 de março de 2014

Diariamente

Sou o desejo de chegar mais cedo e a vontade de sempre dormir mais tarde, te curtir cada instante. Sou a saliva que se mistura e não separa e o nó cada vez mais atado. Sou teu travesseiro e espero, antes da noite que vem tão de repente e do sono que nos mantém calados, lembrar-me de como é bom dormir ao teu lado.
Sou aquela hora do dia que o meu cheiro é o seu cheiro. Sou o afago e o beijo matinal antes do creme dental e, quando as primeiras vontades do dia são: ficar, ficar e ficar. Sou a água a molhar teu corpo e o sabonete a te perfumar. Sou teu café sem açúcar na tua boca já doce e te ver ali sorrir é a recompensa e o atestado mais certo do que é se sentir viva.
Sou a nossa despedida esperada mesmo que sofrida. Sou cada rumo tomado ou cada um deixado para trás. Sou a rua sem saída que atrasa e o relógio arrastado que é adiantado pra chegar na hora. Sou a mensagem de texto com a saudade espremida e dita entre a vontade de fugir e a hora da partida. Sou o ônibus, o metro, o avião, cheio, sujo e apertado. O trânsito frio, calculista, barulhento e mal intencionado. Sou a chuva repentina a me esperar no ponto e a lavar minha alma até a nossa esquina.
Sou o mesmo dejavu ao rever teu semblante, ao te encontrar nesses bares da vida. O mesmo sorriso de olhos e bocas, muitas vezes mais de olhos. O beijo afobado, que sintoniza, encaixa que nos leva a arrancar as roupas e a nos fazer apenas um no próximo instante. Sou a cama quebrada no chão, que deixa de ser cama pra virar colchão. Sou o cafuné em forma de pedido, pede somente que: fique, fique e fique.
Sou a vontade que nunca tive de manter uma rotina e a necessidade que tenho de faze-la. A certeza que agora tenho que acordar, que o mundo selvagem nos espera. Sou o desejo sincero de uma vida possível, que nos revele as impossibilidades para que a cada dia eu tenha um motivo para ser, e que mesmo sendo o ridículo da vida tenho certeza que o nosso compromisso diário é AMAR.
- Com inspirações em textos de Filipe Rocha.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Não tem namorado quem faz pactos de amor com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada, quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar,, quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.

Enlou-cresça.


(Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Ruínas


As mudanças chegam é inevitável, muda-se as horas, os dias, os anos e nossas vidas, porém temos grandes problemas com as mudanças inesperadas ou aquelas que não queremos aceitar. Ver ruir algo que construímos ao longo de determinado tempo é difícil pois mexe com nosso conforto, nosso "equilíbrio". Dificilmente temos maturidade pra aceitar essa ruína e transforma-lá em algo bom, mas se não fosse por elas não mudaríamos, não atravessaríamos o nosso conforto de uma vida medíocre para algo que realmente nos traga felicidade. Que as ruínas venham como presente pois isso mostra o quanto somos forte para aguentar através do tempo todo tipo de intempérie e continuar buscando nosso equilíbrio.

A ruína é a entrada difícil da rua que nos leva a transformação.