domingo, 2 de março de 2014

Diariamente

Sou o desejo de chegar mais cedo e a vontade de sempre dormir mais tarde, te curtir cada instante. Sou a saliva que se mistura e não separa e o nó cada vez mais atado. Sou teu travesseiro e espero, antes da noite que vem tão de repente e do sono que nos mantém calados, lembrar-me de como é bom dormir ao teu lado.
Sou aquela hora do dia que o meu cheiro é o seu cheiro. Sou o afago e o beijo matinal antes do creme dental e, quando as primeiras vontades do dia são: ficar, ficar e ficar. Sou a água a molhar teu corpo e o sabonete a te perfumar. Sou teu café sem açúcar na tua boca já doce e te ver ali sorrir é a recompensa e o atestado mais certo do que é se sentir viva.
Sou a nossa despedida esperada mesmo que sofrida. Sou cada rumo tomado ou cada um deixado para trás. Sou a rua sem saída que atrasa e o relógio arrastado que é adiantado pra chegar na hora. Sou a mensagem de texto com a saudade espremida e dita entre a vontade de fugir e a hora da partida. Sou o ônibus, o metro, o avião, cheio, sujo e apertado. O trânsito frio, calculista, barulhento e mal intencionado. Sou a chuva repentina a me esperar no ponto e a lavar minha alma até a nossa esquina.
Sou o mesmo dejavu ao rever teu semblante, ao te encontrar nesses bares da vida. O mesmo sorriso de olhos e bocas, muitas vezes mais de olhos. O beijo afobado, que sintoniza, encaixa que nos leva a arrancar as roupas e a nos fazer apenas um no próximo instante. Sou a cama quebrada no chão, que deixa de ser cama pra virar colchão. Sou o cafuné em forma de pedido, pede somente que: fique, fique e fique.
Sou a vontade que nunca tive de manter uma rotina e a necessidade que tenho de faze-la. A certeza que agora tenho que acordar, que o mundo selvagem nos espera. Sou o desejo sincero de uma vida possível, que nos revele as impossibilidades para que a cada dia eu tenha um motivo para ser, e que mesmo sendo o ridículo da vida tenho certeza que o nosso compromisso diário é AMAR.
- Com inspirações em textos de Filipe Rocha.

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